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terça-feira, 26 de julho de 2011

Tempo

Sabem aqueles momentos que você possui diversas coisas para falar, para retratar seu momento interior e não encontra palavras? É isso...Talvez o silêncio, neste momento fale mais. Não me refiro ao silêncio medíocre que é incapaz de posicionar-se. Mas falo do silêncio do poeta. Da troca de olhares. Do silêncio capaz de preencher, mesmo com seu vazio linguístico, experiências afetivas.
Me lembro da infância. Ou melhor, de minha avó. Todas as vezes que ela me pegava em falta, ou fazendo algo que não constituísse regra de comportamento, não precisava falar nada. Ela me subjetivava pelo silêncio e pelo olhar. Nunca precisou me bater. Só olhava e silenciava. Era o suficiente para que eu entendesse tudo...
Retornando a idéia inicial:
Meu momento interior. Mas o que é momento? E o que é interior? Por que utilizei ambas em sinonímia?
Não tenho respostas. Mas indicarei um caminho para esta reflexão.
Momento, definirei como um recorte de tempo em dada experiência. Uma partícula da imensidão da vida. Do tempo.
Interior. Tudo o que não é exterior. O que não é visível. O que não se toca. Mas se imagina e preenche.
Juntando ambas: É pensar, em um recorte de tempo e espaço, numa fotografia de nossas emoções. Uma máquina capaz de fotografar a alma. O desejo. Não o desejo psicanalítico mas o esquizoanalítico. O desejo que é coletivo. Que se enraiza em um campo de experiências muito maior. O desejo da arte. O desejo de mudar o mundo.
Ah e o que isso haver com tudo?
nada...Quando não se tem nada para falar, não se fala. Se silencia.
Então, agora, vou me silenciar.