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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Ao longo desta semana, em diversas oportunidades, ouvi de algumas pessoas, em diferentes espaços de convivência, ou conveniência, a resposta a uma indagação que eu fizera acerca das condições para construção do mundo melhor. A resposta, invariavelmente dada, que me soa como clichê, visitava um medíocre lugarzinho comum: que os homens fossem bons, generosos, solidários, solidários...Primeiro, deixava claro que não interpunha relação direta entre o bem e o mal na construção de uma sociedade menos hostil, do ponto de vista da violação dos direitos humanos.
Inspirado por Nietzsche, me arrisco afirmar ser equívoco pensar o bem e o mal como valores absolutos em uma existência, que transparece a incessante criação de valores morais baseados em um decadente e ultrapassado idelismo socrático, platônico e cristão de esquadrinhamento de corpos e desejo. Em segundo, a relação direta que se estabele, em consonância com a docilização de nossos corpos e idéias, exigidos pelo exercício disciplinar de quase todas as religiões, em que temos que adbicar da capacidade reflexiva e analítica, para crer em dogmas e receitas de bolo que nos levam a "suposta felicidade". Felicidade que dificilmente se alcançará nesta vida. ou em uma de nossas vidas; Advogo pela tese filosófica que vivemos várias vidas na nossa mesma. Somos nós e não somos, ao mesmo tempo. Uma tese espinosista que depois reflito. Assim, postergamos essa aposta, do mundo melhor, para o dia que partimos dessa. Como sou iludido. Mas tentarei expor, brevemente, argumentos que me contrapõem a estas resposta-clichês.
Imagino que a vida deve ser pensada como potência. Como uma bomba atômica. Que possui potência beliciosa para detonar territorialidades. Para inaugurar possibilidades. Para impor-nos experiências extemporâneas. Nossa vida é inventiva. É devir.Se sou a diferença em mim mesmo, como admitir a receita do bolo? A lógica psicanalítica da estrutura? Como posso pensar que uma encenação mítica, de Édipo, é capaz de reproduzir em meu "palco inconsciente, assim como em toda humanidade? Sou muito mais que isso. Mais que édipo e as estruturações propostas do aparelho psíquico...Me recordo de uma lembraça belíssima em minha vida. Uma rio e um OVNI. Claro, não vi o OVNI. O físico ou material. Mas imaginei. Pensei em sua forma e me submeti a esta experiência. Vivi aquilo, mesmo não estando em sua presença física.E, por 5 anos que se sucederam esta experiência, este OVNI continuou forte em minhas lembranças. Era real embora sua constituição fosse imagética. Queria retorná-lo. Revivê-lo. Pensá-lo e tocá-lo para sentir sua presença pura, doce, afável e indelével. Aquela noite...Uma noite fria. A grama molhada, o cheiro de rio e um sapo que me olhava. E o OVNI. O meu OVNI. Uma experiência sensível, de transvaloração, de superação de valores morais, transcendentais ou quaisquer outros que tendem aprisionar minha existência. Uma experiência alquímica, de sincronicidade, de desejo (não o psicanalítico mas o esquizo). Em um movimento cotidiano da vida, lanço um olhar miraculoso sobre ela. Acho fantástica esta relação: tornar milagre o que é cotidiano e habitual. Imagine como seria se fossemos capazes de tornar indescritível cada experiência de vida? Conceber a habitual ação de comer uma pizza como obra de arte?
Este recorte experimental me remete a primeira questão alçada: acredito, quase como dever de fé, que temos que nos desapegar de valores morais, Estamos e somos além disto. E a liberdade do pensador e da reflexão tem preço, claro!Mas depois falamos disso.Mas e a pizza? É uma sutil homenagem que rendo a grandiosa descoberta dos italianos: devo confessar...Se todos, no mundo, pudessem deliciar-se com uma pizza toscana, veriam que o mundo pode ser melhor.

Abraços,

Julio